sexta-feira, abril 15

M de mudança*

A verdade é que sou um pouco egoísta. Não que eu queira sê-lo; que faça questão de o ser, de todo - apenas porque nunca olhei para ti com outros olhos. Tens de admitir que entraste na minha vida de maneira um pouco desajeitada, e na altura, o que eu queria era adaptar-me ao desconhecido. Consegui-o com sucesso. E tu, foste acompanhando toda essa adaptação ainda que eu não o soubesse. Nunca soube me esperavas em alguns intervalos e me acompanhavas mesmo sem eu nunca sentir a tua presença nos meus passos. Nunca me passou pela cabeça que alguém perderia cinco minutos da sua vida para me observar, até porque nem nunca tinha trocado uma palavra contigo, nem nunca te tinha visto. Até um certo dia. Dia esse que para ti foi escolhido a dedo, e para mim foi um dia com surpresas inesperadas. Nós sabemos o que aconteceu e só a nos diz respeito saber, mas o certo é que não te levei muito a sério. No entanto, fui-me habituando as tuas palavras, ao teu carinho por mim, as coisas que dizias sentir. E ao longo destes três anos, tivemos juntos, fomos sempre falando. E recordo-me sempre das conversas que tínhamos, dos intervalos que tivemos juntos, dos locais onde estivemos, e sei que não esquecerei porque isso não faz parte dos meus planos. É certo que não recebeste da minha parte o que querias. E quando o tiveste não teve muito resultado, apenas foram duas semanas. No fundo eu sei que fui sincera contigo, sempre te disse a verdade, mas arrisquei em algo incerto sabendo eu que te podia magoar, e sim, é aí que me considero mais egoísta, não pensei nos resultados futuros que isso podia ter para mim em relação a ti, em ti, e sobretudo em nós. Continuamos amigos, e isso para mim contou como muito, dado que nunca me abandonaste em todo este percurso, e isso fez de ti um dos melhores amigos que eu já tive. Tu nunca desististe de mim.

            Na verdade confesso que sempre fui um pouco irregular quanto a ti. Nunca fui de gostar de ninguém, nunca me agarrei a ninguém, e nem tenciono mudar de mentalidade, sendo que esta é uma auto-defesa. Porém, nos últimos tempos, eu fui mudando e cada vez que me pedias uma oportunidade, eu sentia-me mais confusa. Para ser sincera, no dia do baile, eu quis dizer sim, queria mesmo, mesmo não tendo sido essa a minha resposta. Os meus ideais estavam a modificar-se e de maneira tão repentina que não quis ser precipitada quando de repente, vejo que esse foi o meu pior erro – perdi-te. Eu não sei se isto é bom ou mau, mas serviu para eu aprender a lidar com as pessoas, e com os sentimentos delas. Sabes bem que mudei, e que estou pronta para demonstra-lo mas também respeito a tua decisão e sei que já te magoei muitas e outras vezes. Desculpa e obrigada, eu estou aqui , sempre anjo *

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